quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Não sei que horas eram, porque eu não conseguia me mexer. Sei que acordei e sabia que algo ia aparecer, que alguém ia aparecer. Meus olhos ardiam de sono, mas eu não conseguia voltar a dormir, porque sentia a presença do que quer que fosse e só esperava alguma luz aparecer em cima da minha escrivaninha, ao lado do meu velho computador. Eu sabia da luz porque aquilo no sonho tinha me feito acordar e tinha avisado que a luz apareceria. Me disse que era um santo e não tenho certeza se o nome que tenho na memória era o que me foi informado, no sonho, então não vou escrever aqui. Acontece que, por saber que era um santo, eu não deveria ter medo. Santos fazem coisas boas, por que tive medo? 
Meu medo não era do santo, em si, mas do que aconteceria comigo quando eu me desse conta do conhecimento que passaria a carregar. Sempre evitei saber demais, porque ter consciência demais sempre me assustou.Como se fosse uma pedra que eu tivesse que carregar e eu tivesse sempre preferido deixá-la em seu lugar, numa montanha ou caverna, ao invés de procurar meios para conseguir levá-la comigo a todo lugar. A alienação me acalantara todos esses anos, mas naquela noite o sussurro que me acordou ia colocar tudo a perder. 
Nenhuma luz estava acesa, meus pais dormiam e até o gato dormia. Eu estava sozinha, paralisada, esperando a tal luz aparecer. Resolvi pedir ajuda a quem sempre me ajudou em pesadelos: meu consciente religioso. Fechei os olhos e rezei. Rezei para me proteger do santo que eu, supostamente, estava "destinada" a ver. Converso com Deus através de orações, por ter feito catecismo e vivido sempre em um ambiente católico. Também tenho aquelas conversas de "Deus, se você achar que é bom pra mim, me permita conseguir tal coisa", mas naquela noite rezei o Pai Nosso, depois algumas Ave Marias (de olhos fechados) e consegui adormecer. Eu fugi do santo recorrendo a outros santos. Espero que um dia Deus (ou seja lá quem for) me perdoe por não querer carregar certas responsabilidades.

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