Meu medo não era do santo, em si, mas do que aconteceria comigo quando eu me desse conta do conhecimento que passaria a carregar. Sempre evitei saber demais, porque ter consciência demais sempre me assustou.Como se fosse uma pedra que eu tivesse que carregar e eu tivesse sempre preferido deixá-la em seu lugar, numa montanha ou caverna, ao invés de procurar meios para conseguir levá-la comigo a todo lugar. A alienação me acalantara todos esses anos, mas naquela noite o sussurro que me acordou ia colocar tudo a perder.
Nenhuma luz estava acesa, meus pais dormiam e até o gato dormia. Eu estava sozinha, paralisada, esperando a tal luz aparecer. Resolvi pedir ajuda a quem sempre me ajudou em pesadelos: meu consciente religioso. Fechei os olhos e rezei. Rezei para me proteger do santo que eu, supostamente, estava "destinada" a ver. Converso com Deus através de orações, por ter feito catecismo e vivido sempre em um ambiente católico. Também tenho aquelas conversas de "Deus, se você achar que é bom pra mim, me permita conseguir tal coisa", mas naquela noite rezei o Pai Nosso, depois algumas Ave Marias (de olhos fechados) e consegui adormecer. Eu fugi do santo recorrendo a outros santos. Espero que um dia Deus (ou seja lá quem for) me perdoe por não querer carregar certas responsabilidades.
Nenhum comentário:
Postar um comentário