quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Flusser me disse que o homem não pertence a lugar algum, que se sente um estrangeiro em qualquer situação. Não consegue se adaptar, sente uma eterna falta de algo que ele nunca vai encontrar. Ele falava sobre mim, olhando para mim. Recolheu um fio do meu cabelo e disse que o "homem" era eu. Falei que não entendia, porque eu nunca entendia nada, mas sempre foi assim, ele não explicava e eu entendia alguns anos depois.

 "Marília, você vai se sentir estrangeira em qualquer lugar que for, vai ser forasteira a vida inteira", lembro assim, até escuto sua voz.



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