sexta-feira, 15 de maio de 2015

Era noite, depois das nove, e eu queria muito dormir. Arrumei meu quarto e fui para o banheiro trocar de roupa e escovar os dentes. Enquanto escovava, ouvi alguém me chamar. Abri a porta e perguntei o que minha mãe queria, mas ela disse que não tinha me chamado.
De volta ao quarto, pensei em não ligar a televisão e só deitar, mas estava em meio a algum diálogo, pelo celular, então apaguei a luz e deitei, prestando atenção apenas ao celular. No escuro, meu quarto parece ficar maior.
A conversa durou algum tempo, até que nos demos "boa-noite" e baixei o celular para colocar para carregar e começar a dormir. Acontece que eu vi. Deveria ter mais ou menos um metro e se movia como se fosse arrastada pelo vento. Era uma menina, uma criança. Tinha os olhos nos meus e senti que esperava alguma coisa de mim. Nunca suportei esse tipo de esperança. Minha única reação foi levantar e pegar o essencial: celular, carregador, lençol e travesseiro. Corri para o quarto da minha mãe enquanto eu sentia o olhar da criança na minha nuca.
Enquanto colocava, novamente, o celular para carregar eu sentia meu corpo travar e achei que estava quase sendo pega pela morte ou o seja lá que tipo de destino aquela menina tinha nas mãos para me dar, naquela noite, e me apressei para deitar na cama o mais rápido possível.
Coloquei o travesseiro em cima da cabeça e tentei apagar todos os vestígios possíveis de medo que meu corpo tentava transformar em suor.
Alguns minutos depois, minha mãe perguntou se nosso gato também estava na cama e respondi que não. No outro dia, logo depois que acordamos, recebemos a notícia de que alguém da família tinha morrido e, então, minha mãe confessou que sentiu uma pessoa no quarto, na noite anterior, além de nós duas.

Demorei 3 dias para conseguir dormir sozinha novamente.

Nenhum comentário:

Postar um comentário